5.3.09

Resposta de Ana Margarida Ferreira, Directora do Museu de Aveiro

Sou completamente adepta da discussão pública dos assuntos de interesse público. O Museu de Aveiro, as suas obras e as suas actividades são assunto de interesse público. Mas antes de entrarmos na discussão pública é preciso por os pontos nos iis. Para já ficam os seguintes esclarecimentos:
1. As estruturas arqueológicas estão documentadas e enterradas, o espólio está acautelado.
2. O chão de ladrilho da portaria foi colocado no século XX. Temos a factura da sua compra.
3. Os painéis de azulejo foram lá colocados na direcção do Dr. Alberto Souto; foram removidos na direcção da Dr.ª Maria Lobato e estão desmontados. Não estão em exposição (estranho muito a afirmação da autora).
4. As portas em torno do claustro superior continuam a ser portas.
5. O pavimento das salas do primeiro andar sempre foi de soalho de madeira.
6. Os azulejos do poço foram levantados e guardados; eram uma decoração aplicada a cimento, em data incerta, seguramente do século XX adiantado. O pavimento nunca foi de mosaico; foi de seixo rolado, conforme documentaram as escavações arqueológicas.
Dito isto, estou disponivel para discutir conceitos e opções de intervenção em museus e monumentos.


Ana Margarida Ferreira
Directora do Museu de Aveiro

4.3.09

Desconserto no Museu de Aveiro


As obras de ampliação e requalificação do Museu de Aveiro deram que falar mas nunca se falou o suficiente. No decorrer das obras, face a descobertas de interesse arqueológico, dominou o silêncio. E é este que continua a dominar: onde estão «os vestígios de estruturas antigas»? O Museu reabriu, as obras estão praticamente finalizadas. Parece que todos preferem festejar e não questionar o que se fez com 5.080.669,00 euros, valor estimado da obra (sendo a comparticipação comunitária de metade). O projecto tem a autoria do arquitecto Alcino Soutinho. A fiscalização esteve a cargo da delegação de Coimbra da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais. Mas, na minha simples opinião, o museu foi alvo de um atentado!

Antes das obras, a entrada do museu, em chão de mosaico antigo, de barro escuro, dividia o espaço branco das paredes por sete painéis de azulejos recortados, da primeira metade de setecentos, ali instalados depois de terem sido retirados da antiga Sé ou Recolhimento de S. Bernardino. ESTE ESPAÇO FOI DESTRUÍDO. OS PAINÉIS ESTÃO EXPOSTOS DE FORMA ALINHADA NUMA DAS NOVAS SALAS DE EXPOSIÇÃO.

As várias salas, organizadas agora segundo os períodos convencionais da história de arte, são frias, não passam de mostruários de arte sacra. AS PEÇAS FORAM DESCONTEXTUALIZADAS. Torna-se mais prático digitalizar o espaço e fazer uma visita virtual!

O Claustro. No centro, o chafariz entre degraus e bancadas revestidas de azulejos de figura azuis e brancos da primeira metade do século XVIII. NÃO FORAM RESTAURADOS.
À volta do claustro, as salas sucedem-se. A maior guardava o túmulo de João Albuquerque e sua mulher D. Helena Pereira, inicialmente feito para ser colocado numa capela da Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia (actual Sé), da qual tinha o padroado. A sua vinda para o museu deu-se em 1945. EI-LO, ACTUALMENTE:

O que aconteceu às outras salas, não sabemos. O espaço ainda está vedado ao público. Temo pela «requalificação» das capelas de S. Simão, de S. João Batista, de S. João Evangelista, do Refeitório.

O acesso ao Claustro alto também está vedado. Mas uma mudança sobressai: AS PORTAS AO LONGO DA VARANDA FORAM TRANSFORMADAS EM JANELAS.

Antes das obras de «requalificação», saíamos do coro alto ao encontro dos testemunhos da vida da Beata Joana. Três pequenas divisões, abertas do lado do coração. Mantiveram essas salas. Mas O PAVIMENTO EM MÁRMORE FOI SUBSTITUÍDO POR UM MODERNO SOALHO DE MADEIRA E O SEU NOVO ENQUADRAMENTO DESTRUIU POR COMPLETO O AMBIENTE CONVENTUAL QUE DIFERENCIAVA ESTE MUSEU DE QUALQUER OUTRO. A OPÇÃO FOI A DE DEITAR PAREDES ABAIXO E ERGUER UMA SÉRIE SALAS DE EXPOSIÇÃO. Não há permissão para fotografar as salas (restrição que é cada vez mais exclusiva deste país). Centremo-nos apenas nesta nova entrada para o segundo piso:



Parece-me insano rasgar o espaço do convento com esta ponte de betão e metal. Mas enfim, é apenas a minha opinião.

A mística do museu, os pequenos detalhes, diluiram-se nestas novas linhas de modernidade acéfala. A ruptura com as suas origens é irremediável. A casa mandada erguer por D. Brites Leitão foi fulminada. O convento que D. Afonso V e sua corte lançaram após a bula papal de Pio II em 1461 perdeu a alma. É desesperante o que fizeram ao segundo claustro! O chão foi todo levantado (o que fizeram aos mosaicos antigos?), substituído por pequenos seixos elegantes. O poço passou a estrutura acimentada, bastante grosseira (o que fizeram dos azulejos?). O passeio envolvente está coberto por uma estrutura metálica, tipo marquise!!! É preciso ver e rever para acreditar! Enfim, foi o que me aconteceu, mas devo ter sido a única...
Quanto à Igreja do Convento de Jesus, não foi tocada. Felizmente, a parte mais antiga da construção, quatrocentista, estava fora do projecto!

Não adianta muito, ou nada, expressar esta opinião. Deve ser por isso que ninguém fala, como eu falo, e repito, de atentado a um Monumento Nacional. Autarquias, Secretarias de Estado, continuem no bom caminho! O povo não é quem ordena!

12.2.09

Reflexos

Bairro da Beira-Mar, que fica à beira-ria
Aveiro 10-02-09

Esta é para ele ;)

30.1.09

Suis terras in Alauario et Salinas

Rua João Mendonça
O Museu da Cidade tem na sua exposição recém inaugurada, BI Aveiro, o Livro de Mumadona do século X [959], o Livro de Místicos e a Bula de Clemente XIV, entre muitas outras preciosidades. Estes documentos estão no Museu só até dia 8 de Fevereiro!

25.1.09

Sessão Evocativa Oficial dos 1050 anos da primeira referência escrita a Aveiro

A Câmara Municipal de Aveiro tem a honra de convidar V.Ex.a para assistir, no dia 26 de Janeiro de 2009, aos seguintes eventos:

16h00 – Sessão Evocativa Oficial dos 1050 anos da primeira referência escrita a Aveiro. Edifício sede da Assembleia Municipal (antiga Capitania de Aveiro). Alocução histórica pela Professora Doutora Maria Helena da Cruz Coelho.

17h15 – Inauguração da exposição “Dos artefactos à escrita”.
Na galeria do edifício sede da Assembleia Municipal (antiga Capitania de Aveiro). Apresentada pelos Comissários: Eng.º Paulo Morgado e Dra. Sónia Filipe.

17h30 – Inauguração da exposição “BI Aveiro (959 – 2009)”. Museu da Cidade. Apresentada pelas comissárias: Professora Doutora Maria Helena da Cruz Coelho e Professora Doutora Maria José Azevedo Santos.

18h30 – Sessão de agradecimento aos antigos e actuais Autarcas de Freguesia do Concelho de Aveiro. Salão Nobre dos Paços do Concelho.


Imagem daqui


"No documento de doação testamentária efectuada pela condessa Mumadona Dias ao mosteiro de Guimarães, em 26 de Janeiro de 959, consta a referência a "Suis terras in Alauario et Salinas", sendo esta a mais antiga forma que se conhece do topónimo Aveiro.
No século XIII, Aveiro foi elevada à categoria de vila, desenvolvendo-se a povoação à volta da igreja principal, consagrada a S. Miguel e situada onde é, hoje, a Praça da República, vindo esse templo a ser demolido em 1835.
Mais tarde, D. João I, a conselho de seu filho, Infante D. Pedro, que, na altura, era donatário de Aveiro, mandou rodeá-la de muralhas que, já no século XIX, foram demolidas, sendo parte das pedras utilizada na construçào dos molhes da barra nova.
Em 1434, D. Duarte concedeu à vila privilégio de realizar uma feira franca anual que chegou aos nossos dias e é conhecida por Feira de Março.
Em 1472, a filha de Afonso V, Infanta D. Joana, entrou no Convento de Jesus, onde viria a falecer, em 12 de Maio de 1490, efeméride recordada actualmente, no feriado municipal. A estada da filha do Rei teve importantes repercussões para Aveiro, chamando a atenção para a vila e favorecendo o seu desenvolvimento.
O primeiro foral conhecido de Aveiro é manuelino e data de 4 de Agosto de 1515, constando do Livro de Leituras Novas de Forais da Estremadura.
A magnífica situação geográfica propiciou, desde muito cedo, a fixação da população, sendo a salinagem, as pescas e o comércio marítimo factores determinantes de desenvolvimento.
Em finais do século XVI, princípios do XVII, a instabilidade da vital comunicação entre a Ria e o mar levou ao fecho do canal, impedindo a utilização do porto e criando condições de insalubridade, provocadas pela estagnação das águas da laguna, causas estas que provocaram uma grande diminuição do número de habitantes - muitos dos quais emigraram, criando póvoas piscatórias ao longo da costa portuguesa - e, consequentemente, estiveram na base de uma grande crise económica e social. Foi, porém e curiosamente, nesta fase de recessão que se construiu, em plena dominação filípina, um dos mais notáveis templos aveirenses: a igreja da Misericórdia.
Em 1759, D. José I elevou Aveiro a cidade, poucos meses depois de ter condenado, ao cadafalso, o seu último duque, título criado, em 1547, por D. João III.
Em 1774, a pedido de D. José, o papa Clemente XIV instituiu uma nova diocese, com sede em Aveiro.
No século XIX, destaca-se a activa participação de aveirenses nas Lutas Liberais e a personalidade de José Estêvão Coelho de Magalhães, parlamentar que desempenhou um papel determinante no que respeita à fixação da actual barra e no desenvolvimento dos transportes, muito especialmente, a passagem da linha de caminho de ferro Lisboa-Porto, obras estas de capital importância para o desenvolvimento da cidade, permitindo-lhe ocupar, hoje em dia lugar de topo no contexto económico nacional."

BIBLIOGRAFIA: "DIAS, Diamantino, Revista AVEIRO, Câmara Municipal de Aveiro, pp. 8, 2ª Edição, Julho de 1997."

22.1.09

Celebrar Aveiro


A cidade de Aveiro encontra-se a comemorar, em 2009, os seus 250 anos, coincidindo a data com o Ano Europeu da Inovação e Criatividade.

Tendo em conta que estas comemorações podem ser uma excelente oportunidade para Aveiro celebrar o seu passado e a sua identidade, projectar-se no contexto regional e nacional e afirmar a cultura e criatividade como factores de desenvolvimento e de competitividade urbana, um conjunto de cidadãos entendeu lançar um desafio à comunidade aveirense.

Esse desafio visa estimular os cidadãos e os agentes culturais, sociais e económicos da cidade a organizarem-se para promover um conjunto actividades que valorizem o
programa oficial das comemorações. Pretende-se com esta iniciativa promover os jovens artistas e criativos de Aveiro (do sector da cultura, arte, design, tecnologias,...), dinamizar formas de expressão que privilegiem a animação dos espaços públicos da cidade e estimular a participação dos cidadãos em intervenções criativas nas suas unidades de vizinhaça (ruas, bairros,...).

Nesse sentido, vimos por este meio convidá-los a participar numa reunião pública a realizar no próximo dia 22 Janeiro (quinta-feira), pelas 21h, no Salão Nobre da Associação Comercial de Aveiro, com o objectivo de discutir o programa de actividades a desenvolver no âmbito deste desafio, a que designámos - projecto "250 anos de Aveiro, uma ideia para o futuro".

Por razões de ordem logística, agradecemos a confirmação da vossa presença para o email amigosdavenida@gmail.com .

24.12.08

23.12.08

Da Torre dos Paços do Concelho


A Torre, cujos sinos nos vão indicando as horas...

Ângulo invertido da Praça da República...

Depois de subir as escadas...


Fotografando em círculo...



Zoom - Igreja da Misericórdia

Completando os 360 graus...


22.11.08

Azulejos #6




E nem por acaso, estes painéis das Olarias Aveiro pertencem à fachada de uma sapataria... Sapatos tão fortes que nem um leão consegue destrui-los!